quarta-feira, 28 de outubro de 2009

LUA

(2:35h - Chove torrencialmente)

Acordo de madrugada e penso em ti. A chuva lá fora faz relampejar. Brilha, refletindo nos objetos do quarto, deixando uma lembrança viva em minha memória:
Seus olhos.
Sim. doces e melancólicos, num olhar penetrante, que num instante me comovem.
Não, não são olhos azuis, mas posso assim mesmo mergulhar dentro deles. Não, não são olhos de Capitu, mas podem me capturar num segundo e meu mundo rodopia, junto com sua íris, marrom, clara e límpida.
Tenho saudade de olhá-los e ver refletido neles os meus. Essa força vem de dentro, como um facho de laser, latejando, pulsando, como um Pulsar, aquela estrela que mesmo depois de morta brilha e brilha por milhões de anos.
Não, não sou poeta, mas você em mim desperta essa vontade compulsiva de te descrever. Talvez assim eu te entenda em mim, nessa transcrição do que sinto, do que penso.
Talvez um poeta de verdade possa um dia destilar tua beleza em pequenos versos metrificados. Eu, no momento, uso dessa inspiração que me subjulga sem marcar hora, apenas num estalo e pronto: me vejo de novo escrevendo.
Agora é tarde. Devo voltar a meus devaneios junto ao travesseiro. Ele me espera ansioso, assim como espero de novo poder me ver refletida em teu olhar.

Boa noite, Lua!!

Nenhum comentário: