domingo, 25 de outubro de 2009

Colcha de retalhos

É madrugada. Parece que é sempre nessa hora tardia que me flagro pensando em ti. Tardia noite, a noite fica vazia sem um afago. E assim me afogo nessas recordações profundas e tão vívidas. Não é como um filme. É uma realidade cabal...cabalista, misturando magia, sensações e energia. Ainda me lembro do som da chuva pipocando o vidro de seu carro. Ainda me lembro... E não sei quantos dias passarão, mantendo ainda essa lembrança viva.
Parece que a distância não é nada, o tempo não é nada. Não dá pra medir sentimento, dá? Mas são quilômetros e quilômetros...e eu não estou falando de distância, não. Aquela ânsia já passou. Agora não é mais sofrida, desesperada. Agora já é contida, calada. Mas muito ficou. O carinho ficou. O respeito ficou. O amor...ah! Esse bandido...
E nessa madrugada, a Lua, como está? Em que fase se encontra? Ou não se encontra? Escondida como nova? Ou aparecendo aos poucos, crescendo como nunca, cada vez mais pra mostrar pra essa vida que ela continua aí, firme e forte? Sorte sua ser sempre bela, pois assim eu a vejo, mesmo minguante, mantendo o semblante sereno e seguro de si.
Você traz vida, Lua, e mesmo não sendo uma flor, faz com que outros girem ao seu redor. Não é engraçado? LUA-SOL-FLOR-GIRA-SOL...mas não é a Lua que gira em torno da Terra? Sei lá, acho que já estou delirando...deve ser o sono...e assim fico brincando até por demasiado com as palavras. Nem sempre me entendo bem com elas, principalmente quando estou diante de ti. Parece que passei um dia inteiro ensaiando o que dizer e quando nos despedimos me deu vontade de chegar de novo.
Tenho saudades daquela que conheci. É verdade, foi tão pouco e tão marcante. Importante pra mim. Pra nós? E...me pego pensando...o que vem agora? Ontem minhas palavras tortas eram bonitas, tocavam seu íntimo. E hoje? Será que não passam de frases desconexas e sem peso, talvez fúteis, bregas, piegas. Mas continuam sendo minhas. São retalhos de pensamentos, que juntos formam uma colcha tão diversamente complexa, cerzida com inúmeros sentimentos: Alegria, angústia, tesão, indignação, amor, saudade.
De vários dias/noites tirei um pedacinho pra poder te/me descrever. Hora penso que me apaixonei por imagens criadas por mim, hora sinto que isso já vem de muito longe...e fico pensando (eu faço muito isso) se o teu coração não espelhou o meu. Tudo tornou-se confuso que nem hoje ainda consigo desfiar essa colcha. Talvez ela me sirva de cobertor de orelha. Ah ah ah. Pelo menos esquenta meus sonhos. E os teus? O que acalenta os teus?

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