Essa série de textos postados compulsivamente não é, infelizmente, um arroubo de inspiração. São textos de um blog já antigo que se perdeu nos espaços nostálgios da net que eu quis repostar. Como curti o que escrevi na época, quis colocá-los de novo à disposição de quem possa se deliciar com eles. Eu pelo menos adoro, rs, então, seguem aí esses textos de outubro, uma revisitada em sentimentos que já estiveram muito presentes no meu passado.
;-)
beijos
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
OLHOS DE VIDRO
Quanta energia sai e me atinge como um raio, me banhando, me ligando, me enlevando nessa onda de calor.
Quero mais! Quero mais! Ah... coisa boa, percorrer pelas linhas deste rosto um tanto marcado de experiências bem vívidas e vividas. Pistas de uma estrada que ainda não tem fim. Percorro essas ruas com o nó dos meus dedos, o outro na garganta, querendo desatar suas/minhas emoções.
Coisa rica, coisa bela que é ter a bênção de compreender tão embriagadoramente esses eternos segundos. Como é colorida e tão lisérgica a visão embotada pelo desejo!
Difícil entender, fácil sentir, difícil perdoar, fácil se perder... Perder horas que nunca foram minhas, já que o tempo é uma grande prisão ilusionista.
Que bom é poder ter a sensibilidade, o entendimento e a delicadeza de poder dar a todo momento importante a verdadeira e única relevância que ele realmente tem. Isso é riqueza, isso é beleza, isso é poesia em vida. A real poesia concreta! Palpável, vivenciável.
Obrigada, Pai, pelos "olhos'" que a terra há de se fartar...
Quero mais! Quero mais! Ah... coisa boa, percorrer pelas linhas deste rosto um tanto marcado de experiências bem vívidas e vividas. Pistas de uma estrada que ainda não tem fim. Percorro essas ruas com o nó dos meus dedos, o outro na garganta, querendo desatar suas/minhas emoções.
Coisa rica, coisa bela que é ter a bênção de compreender tão embriagadoramente esses eternos segundos. Como é colorida e tão lisérgica a visão embotada pelo desejo!
Difícil entender, fácil sentir, difícil perdoar, fácil se perder... Perder horas que nunca foram minhas, já que o tempo é uma grande prisão ilusionista.
Que bom é poder ter a sensibilidade, o entendimento e a delicadeza de poder dar a todo momento importante a verdadeira e única relevância que ele realmente tem. Isso é riqueza, isso é beleza, isso é poesia em vida. A real poesia concreta! Palpável, vivenciável.
Obrigada, Pai, pelos "olhos'" que a terra há de se fartar...
VOCÊ
Você me dá vontade de escrever. Há muito não pegava numa folha em branco e preenchia-a com algo mais que uns rabiscos.
Você me dá vontade de fazer coisas que já estavam esquecidas. De tocar um violão, dedilhar por entre as cordas e vibrar, vibrar, deixar o som sair de dentro, lá do fundo do meu peito. Não importa se eu desafino, amor.
Você me dá vontade de sonhar de novo, seguir mais uma vez pelo caminho etéreo dos pensamentos, das palavras belas e quebra-cabeças.
Você me dá vontades e vontades de ser puro desejo, luxúria, pensamentos proibidos e libido liberado.
Você me dá água na boca e vontade de me embriagar em tuas águas, em teus líquidos, flutuando e fazendo flutuar, sem limites, sem parâmetros.
Você me deixa com a boca seca, a caneta sem tinta, os pensamentos confusos e as pernas trançadas...
O que fazer? Nada. Só me divertir e gozar essas vontades, satisfazendo meu corpo e espírito, satisfazendo as tuas vontades, que bem sei que você também as têm.
Ah, por favor, não me deixe nunca satisfeita. Quero querer sempre mais!
Você me dá vontade de fazer coisas que já estavam esquecidas. De tocar um violão, dedilhar por entre as cordas e vibrar, vibrar, deixar o som sair de dentro, lá do fundo do meu peito. Não importa se eu desafino, amor.
Você me dá vontade de sonhar de novo, seguir mais uma vez pelo caminho etéreo dos pensamentos, das palavras belas e quebra-cabeças.
Você me dá vontades e vontades de ser puro desejo, luxúria, pensamentos proibidos e libido liberado.
Você me dá água na boca e vontade de me embriagar em tuas águas, em teus líquidos, flutuando e fazendo flutuar, sem limites, sem parâmetros.
Você me deixa com a boca seca, a caneta sem tinta, os pensamentos confusos e as pernas trançadas...
O que fazer? Nada. Só me divertir e gozar essas vontades, satisfazendo meu corpo e espírito, satisfazendo as tuas vontades, que bem sei que você também as têm.
Ah, por favor, não me deixe nunca satisfeita. Quero querer sempre mais!
ANGÚSTIA
O que dizer dessa palavra? É quase impossível descrever algo abstrato, que não se traduz em palavras, mas se sente.
Decepção é a causa da angústia. É aquela apreensão, uma dor no peito de dar nó na garganta e faz o coração bater mais surdo, mais apertado. Um suspiro após o outro, numa tentativa vã de se conseguir um alívio. O peito incha e sobe. O ar preso nas narinas foge numa tentativa tresloucada de levar a angústia embora.
Ah! Pena, doce ilusão. O suspiro já não tão açucarado apenas é um paliativo para esses momentos. Fico à espera..
O cenho franzido, as mãos descontroladas passando para o papel estas linhas já não tão comportadas. Espero novamente...
A meia-hora de felicidade da expectativa já se esvaiu há muito...
Agora me concentro. Relaxo, controlo meus rebeldes sentimentos. Vários pensamentos passam e dançam à minha volta, como abutres em torno da carniça. Não, mas não é pra ser tão sombrio assim! Assusto-me e volto a me controlar, pois a beleza do que espero supera qualquer instante de incerteza.
Eu sei que tudo pode e deve ser belo, por isso espero e espero e espero. Não preciso entrar em desespero, pois sei que no fim, tudo não passa de um momento.
Decepção é a causa da angústia. É aquela apreensão, uma dor no peito de dar nó na garganta e faz o coração bater mais surdo, mais apertado. Um suspiro após o outro, numa tentativa vã de se conseguir um alívio. O peito incha e sobe. O ar preso nas narinas foge numa tentativa tresloucada de levar a angústia embora.
Ah! Pena, doce ilusão. O suspiro já não tão açucarado apenas é um paliativo para esses momentos. Fico à espera..
O cenho franzido, as mãos descontroladas passando para o papel estas linhas já não tão comportadas. Espero novamente...
A meia-hora de felicidade da expectativa já se esvaiu há muito...
Agora me concentro. Relaxo, controlo meus rebeldes sentimentos. Vários pensamentos passam e dançam à minha volta, como abutres em torno da carniça. Não, mas não é pra ser tão sombrio assim! Assusto-me e volto a me controlar, pois a beleza do que espero supera qualquer instante de incerteza.
Eu sei que tudo pode e deve ser belo, por isso espero e espero e espero. Não preciso entrar em desespero, pois sei que no fim, tudo não passa de um momento.
LUA
(2:35h - Chove torrencialmente)
Acordo de madrugada e penso em ti. A chuva lá fora faz relampejar. Brilha, refletindo nos objetos do quarto, deixando uma lembrança viva em minha memória:
Seus olhos.
Sim. doces e melancólicos, num olhar penetrante, que num instante me comovem.
Não, não são olhos azuis, mas posso assim mesmo mergulhar dentro deles. Não, não são olhos de Capitu, mas podem me capturar num segundo e meu mundo rodopia, junto com sua íris, marrom, clara e límpida.
Tenho saudade de olhá-los e ver refletido neles os meus. Essa força vem de dentro, como um facho de laser, latejando, pulsando, como um Pulsar, aquela estrela que mesmo depois de morta brilha e brilha por milhões de anos.
Não, não sou poeta, mas você em mim desperta essa vontade compulsiva de te descrever. Talvez assim eu te entenda em mim, nessa transcrição do que sinto, do que penso.
Talvez um poeta de verdade possa um dia destilar tua beleza em pequenos versos metrificados. Eu, no momento, uso dessa inspiração que me subjulga sem marcar hora, apenas num estalo e pronto: me vejo de novo escrevendo.
Agora é tarde. Devo voltar a meus devaneios junto ao travesseiro. Ele me espera ansioso, assim como espero de novo poder me ver refletida em teu olhar.
Boa noite, Lua!!
Acordo de madrugada e penso em ti. A chuva lá fora faz relampejar. Brilha, refletindo nos objetos do quarto, deixando uma lembrança viva em minha memória:
Seus olhos.
Sim. doces e melancólicos, num olhar penetrante, que num instante me comovem.
Não, não são olhos azuis, mas posso assim mesmo mergulhar dentro deles. Não, não são olhos de Capitu, mas podem me capturar num segundo e meu mundo rodopia, junto com sua íris, marrom, clara e límpida.
Tenho saudade de olhá-los e ver refletido neles os meus. Essa força vem de dentro, como um facho de laser, latejando, pulsando, como um Pulsar, aquela estrela que mesmo depois de morta brilha e brilha por milhões de anos.
Não, não sou poeta, mas você em mim desperta essa vontade compulsiva de te descrever. Talvez assim eu te entenda em mim, nessa transcrição do que sinto, do que penso.
Talvez um poeta de verdade possa um dia destilar tua beleza em pequenos versos metrificados. Eu, no momento, uso dessa inspiração que me subjulga sem marcar hora, apenas num estalo e pronto: me vejo de novo escrevendo.
Agora é tarde. Devo voltar a meus devaneios junto ao travesseiro. Ele me espera ansioso, assim como espero de novo poder me ver refletida em teu olhar.
Boa noite, Lua!!
EQUILÍBRIO
Lembra quando toda semana o cara que comprava jornal, papel velho, vinha batendo na nossa porta, com aquela balança antiga, de ferro, que mais se assemelhava a um cabide, e ele, o "jornaleiro", com a praticidade de quem há anos não faz outra coisa, amarrava o jornal com fita vagabunda que nunca arrebenta - só com faca, enganchava aquela resma rota e media todo o peso de algumas letrinhas, muitas vezes molhadas e borradas pelo desleixo da chuva, que era mostrado pelo ponteiro já torto e enferrujado daquela tosca balança de época? Rs
Isso na verdade me fez lembrar de outra balança... Aquela da divindade Themis, a justiceira...rs. Aquela que vendada não precisa ver o que está pendendo de um lado ou de outro. Ela sente naturalmente. Ela é cega.. mas vê. Vê com os outros olhos, o da compreensão, os olhos da alma...
O problema é que nós pobres e reles mortais temos olhos, temos balanças, até as mais modernas, eletrônicas, com todo o aparato que a tecnologia e a evolução de pensamento que a ciência e filosofia nos oferecem... nunca chegamos a saber o que é o equilíbrio. O não pender demais aki, nem acolá...
Quisera eu ter uma balança, e em cada prato, uma maçã... bonitas, apetitosas, cada uma com os seus atributos próprios...meu desafio é deixá-las ali, sem que uma derrube a outra, pese mais nesse jogo de gangorra. O Equilíbrio perfeito... ou quase... sem que nenhuma delas tombe mais, ou menos. Ali, eu, nesse brincar de justiça, nesse brincar de lei, me esqueço do mundo que voa à minha volta e num piscar de olhos um pássaro vem, e rouba-me uma delas.... resultado: o equilíbrio é desfeito, caio ao chão junto com balança, maçã, olhos e véus.... cai o pano, cai o orgulho, cai.
Aqui queria deixar um link para uma animação feita dois irmãos Christoph Lauenstein, Wolfgang Lauenstein que ganhou o oscar de 1989 (Short Movie), que se chama BALANCE, e que tem tudo a ver com o que eu disse, mas de uma forma muito mais contundente, eu acho. Confira no link:
http://www.youtube.com/watch?v=4mKBwp_B0SY
Isso na verdade me fez lembrar de outra balança... Aquela da divindade Themis, a justiceira...rs. Aquela que vendada não precisa ver o que está pendendo de um lado ou de outro. Ela sente naturalmente. Ela é cega.. mas vê. Vê com os outros olhos, o da compreensão, os olhos da alma...
O problema é que nós pobres e reles mortais temos olhos, temos balanças, até as mais modernas, eletrônicas, com todo o aparato que a tecnologia e a evolução de pensamento que a ciência e filosofia nos oferecem... nunca chegamos a saber o que é o equilíbrio. O não pender demais aki, nem acolá...
Quisera eu ter uma balança, e em cada prato, uma maçã... bonitas, apetitosas, cada uma com os seus atributos próprios...meu desafio é deixá-las ali, sem que uma derrube a outra, pese mais nesse jogo de gangorra. O Equilíbrio perfeito... ou quase... sem que nenhuma delas tombe mais, ou menos. Ali, eu, nesse brincar de justiça, nesse brincar de lei, me esqueço do mundo que voa à minha volta e num piscar de olhos um pássaro vem, e rouba-me uma delas.... resultado: o equilíbrio é desfeito, caio ao chão junto com balança, maçã, olhos e véus.... cai o pano, cai o orgulho, cai.
Aqui queria deixar um link para uma animação feita dois irmãos Christoph Lauenstein, Wolfgang Lauenstein que ganhou o oscar de 1989 (Short Movie), que se chama BALANCE, e que tem tudo a ver com o que eu disse, mas de uma forma muito mais contundente, eu acho. Confira no link:
http://www.youtube.com/watch?v=4mKBwp_B0SY
domingo, 25 de outubro de 2009
A HORA DA LOBA
Eu quero ser uma loba.
Daquelas de pêlos brancos e compridos, olhos azuís e penetrantes, pra poder te olhar e saber que teu reflexo brilha em meu rosto.
Quero poder ser livre. Não presa, nem caçada por predadores famintos ou cruéis. Eu caço. Eu sou loba.
Correr por entre árvores e folhagens, sentindo o carinho que a natureza faz em minhas costas largas... Os pêlos eriçados em cada toque, em cada resvalar dessa mata fechada e sem fim. Agora sou loba.
Sinto o vento em minha cara. Meu focinho frio e molhado detecta a presença e aproximação de outro ser. Pequenino ser. Não, não estou com fome agora. Minha única necessidade básica é a sede. Saio despreocupada num caminhar desleixado, pela trilha que me leva ao lago. Já é quase noite.
Noite. E a maravilha do lugar me envolve e me seduz uma vez mais. O murmurar das águas batendo suavemente nas pedras em torno do lago, a calma do entardecer trazendo a escuridão que chega aos poucos e acende cada lampiãozinho lá no céu, pra que nunca fiquemos sem uma esperança... E a troca de turno dos animais que antes dormiam para agora viverem despertos nesta mata que muda de cenário ao anoitecer. São grilos e cigarras e corujas e...
Depois de saciar minha sede, deito na pedra mais alta e aguardo ansiosa pra apreciar a beleza que vem sempre na mesma hora. Meu coração dispara e meio sem jeito tento cravar meus olhos nela, mas... não consigo na primeira tentativa. Timidamente olho pra sua imagem distorcida na água. Ela dança e se desfaz com o balouçar que o vento produz. Sua luz alumia toda extensão do lago e ela é revigorante. Brilhante, brilhante, mostrando detalhes prateados que de dia seriam impossíveis para o rei Sol sequer pintar.
Crio coragem, afinal sou uma loba, e a encaro.
Meus olhos se marejam, meu sal compete com as águas doces que me saciaram e pela sua clareza meu rosto todo se ilumina, meu ser por inteiro se sente feliz, vibrando.
Aí a magia acontece: Por instinto, sei lá, loucura, talvez, necessidade, quem sabe, meus pêlos todos se arrepiam, minha boca seca novamente. Levanto num ímpeto, estou presa em seu olhar infinito. É como se houvesse um facho de luz e energia unindo duas filhas da natureza. Uma alta, gigante, brilhante, impenetrável e inatingível. A outra animal, instintiva, humilde e solitária. Mas o que as une é muito forte.
Eu sinto o calor subindo, queimando meu estômago, meu peito... começo a arfar, procurando o ar e fico salivando sem parar.
Perco o controle de meus atos e é só o instinto falando e agindo agora. Sinto como se estivesse fora deste corpo e me olhasse como um expectador assustado, surpreendendo-me a fazer coisas insanas.
Olho mais fixamente pra ti e a vejo luzir mais e mais. Como és linda! Incontrolavelmente minha boca se abre e um ruído rouco vem saindo de minhas entranhas. Primeiro sai seco e surdo, depois, vencendo a timidez e ganhando terreno, assusta o mais corajoso guerreiro que se aventura por essas bandas...
_Uivo pra você, por você, minha Lua!
Solto todo o verbo que tenho, minhas últimas forças e então deito exaurida e satisfeita, numa mistura de libertação e gôzo...
Por fim, adormeço.
Daquelas de pêlos brancos e compridos, olhos azuís e penetrantes, pra poder te olhar e saber que teu reflexo brilha em meu rosto.
Quero poder ser livre. Não presa, nem caçada por predadores famintos ou cruéis. Eu caço. Eu sou loba.
Correr por entre árvores e folhagens, sentindo o carinho que a natureza faz em minhas costas largas... Os pêlos eriçados em cada toque, em cada resvalar dessa mata fechada e sem fim. Agora sou loba.
Sinto o vento em minha cara. Meu focinho frio e molhado detecta a presença e aproximação de outro ser. Pequenino ser. Não, não estou com fome agora. Minha única necessidade básica é a sede. Saio despreocupada num caminhar desleixado, pela trilha que me leva ao lago. Já é quase noite.
Noite. E a maravilha do lugar me envolve e me seduz uma vez mais. O murmurar das águas batendo suavemente nas pedras em torno do lago, a calma do entardecer trazendo a escuridão que chega aos poucos e acende cada lampiãozinho lá no céu, pra que nunca fiquemos sem uma esperança... E a troca de turno dos animais que antes dormiam para agora viverem despertos nesta mata que muda de cenário ao anoitecer. São grilos e cigarras e corujas e...
Depois de saciar minha sede, deito na pedra mais alta e aguardo ansiosa pra apreciar a beleza que vem sempre na mesma hora. Meu coração dispara e meio sem jeito tento cravar meus olhos nela, mas... não consigo na primeira tentativa. Timidamente olho pra sua imagem distorcida na água. Ela dança e se desfaz com o balouçar que o vento produz. Sua luz alumia toda extensão do lago e ela é revigorante. Brilhante, brilhante, mostrando detalhes prateados que de dia seriam impossíveis para o rei Sol sequer pintar.
Crio coragem, afinal sou uma loba, e a encaro.
Meus olhos se marejam, meu sal compete com as águas doces que me saciaram e pela sua clareza meu rosto todo se ilumina, meu ser por inteiro se sente feliz, vibrando.
Aí a magia acontece: Por instinto, sei lá, loucura, talvez, necessidade, quem sabe, meus pêlos todos se arrepiam, minha boca seca novamente. Levanto num ímpeto, estou presa em seu olhar infinito. É como se houvesse um facho de luz e energia unindo duas filhas da natureza. Uma alta, gigante, brilhante, impenetrável e inatingível. A outra animal, instintiva, humilde e solitária. Mas o que as une é muito forte.
Eu sinto o calor subindo, queimando meu estômago, meu peito... começo a arfar, procurando o ar e fico salivando sem parar.
Perco o controle de meus atos e é só o instinto falando e agindo agora. Sinto como se estivesse fora deste corpo e me olhasse como um expectador assustado, surpreendendo-me a fazer coisas insanas.
Olho mais fixamente pra ti e a vejo luzir mais e mais. Como és linda! Incontrolavelmente minha boca se abre e um ruído rouco vem saindo de minhas entranhas. Primeiro sai seco e surdo, depois, vencendo a timidez e ganhando terreno, assusta o mais corajoso guerreiro que se aventura por essas bandas...
_Uivo pra você, por você, minha Lua!
Solto todo o verbo que tenho, minhas últimas forças e então deito exaurida e satisfeita, numa mistura de libertação e gôzo...
Por fim, adormeço.
Colcha de retalhos
É madrugada. Parece que é sempre nessa hora tardia que me flagro pensando em ti. Tardia noite, a noite fica vazia sem um afago. E assim me afogo nessas recordações profundas e tão vívidas. Não é como um filme. É uma realidade cabal...cabalista, misturando magia, sensações e energia. Ainda me lembro do som da chuva pipocando o vidro de seu carro. Ainda me lembro... E não sei quantos dias passarão, mantendo ainda essa lembrança viva.
Parece que a distância não é nada, o tempo não é nada. Não dá pra medir sentimento, dá? Mas são quilômetros e quilômetros...e eu não estou falando de distância, não. Aquela ânsia já passou. Agora não é mais sofrida, desesperada. Agora já é contida, calada. Mas muito ficou. O carinho ficou. O respeito ficou. O amor...ah! Esse bandido...
E nessa madrugada, a Lua, como está? Em que fase se encontra? Ou não se encontra? Escondida como nova? Ou aparecendo aos poucos, crescendo como nunca, cada vez mais pra mostrar pra essa vida que ela continua aí, firme e forte? Sorte sua ser sempre bela, pois assim eu a vejo, mesmo minguante, mantendo o semblante sereno e seguro de si.
Você traz vida, Lua, e mesmo não sendo uma flor, faz com que outros girem ao seu redor. Não é engraçado? LUA-SOL-FLOR-GIRA-SOL...mas não é a Lua que gira em torno da Terra? Sei lá, acho que já estou delirando...deve ser o sono...e assim fico brincando até por demasiado com as palavras. Nem sempre me entendo bem com elas, principalmente quando estou diante de ti. Parece que passei um dia inteiro ensaiando o que dizer e quando nos despedimos me deu vontade de chegar de novo.
Tenho saudades daquela que conheci. É verdade, foi tão pouco e tão marcante. Importante pra mim. Pra nós? E...me pego pensando...o que vem agora? Ontem minhas palavras tortas eram bonitas, tocavam seu íntimo. E hoje? Será que não passam de frases desconexas e sem peso, talvez fúteis, bregas, piegas. Mas continuam sendo minhas. São retalhos de pensamentos, que juntos formam uma colcha tão diversamente complexa, cerzida com inúmeros sentimentos: Alegria, angústia, tesão, indignação, amor, saudade.
De vários dias/noites tirei um pedacinho pra poder te/me descrever. Hora penso que me apaixonei por imagens criadas por mim, hora sinto que isso já vem de muito longe...e fico pensando (eu faço muito isso) se o teu coração não espelhou o meu. Tudo tornou-se confuso que nem hoje ainda consigo desfiar essa colcha. Talvez ela me sirva de cobertor de orelha. Ah ah ah. Pelo menos esquenta meus sonhos. E os teus? O que acalenta os teus?
Parece que a distância não é nada, o tempo não é nada. Não dá pra medir sentimento, dá? Mas são quilômetros e quilômetros...e eu não estou falando de distância, não. Aquela ânsia já passou. Agora não é mais sofrida, desesperada. Agora já é contida, calada. Mas muito ficou. O carinho ficou. O respeito ficou. O amor...ah! Esse bandido...
E nessa madrugada, a Lua, como está? Em que fase se encontra? Ou não se encontra? Escondida como nova? Ou aparecendo aos poucos, crescendo como nunca, cada vez mais pra mostrar pra essa vida que ela continua aí, firme e forte? Sorte sua ser sempre bela, pois assim eu a vejo, mesmo minguante, mantendo o semblante sereno e seguro de si.
Você traz vida, Lua, e mesmo não sendo uma flor, faz com que outros girem ao seu redor. Não é engraçado? LUA-SOL-FLOR-GIRA-SOL...mas não é a Lua que gira em torno da Terra? Sei lá, acho que já estou delirando...deve ser o sono...e assim fico brincando até por demasiado com as palavras. Nem sempre me entendo bem com elas, principalmente quando estou diante de ti. Parece que passei um dia inteiro ensaiando o que dizer e quando nos despedimos me deu vontade de chegar de novo.
Tenho saudades daquela que conheci. É verdade, foi tão pouco e tão marcante. Importante pra mim. Pra nós? E...me pego pensando...o que vem agora? Ontem minhas palavras tortas eram bonitas, tocavam seu íntimo. E hoje? Será que não passam de frases desconexas e sem peso, talvez fúteis, bregas, piegas. Mas continuam sendo minhas. São retalhos de pensamentos, que juntos formam uma colcha tão diversamente complexa, cerzida com inúmeros sentimentos: Alegria, angústia, tesão, indignação, amor, saudade.
De vários dias/noites tirei um pedacinho pra poder te/me descrever. Hora penso que me apaixonei por imagens criadas por mim, hora sinto que isso já vem de muito longe...e fico pensando (eu faço muito isso) se o teu coração não espelhou o meu. Tudo tornou-se confuso que nem hoje ainda consigo desfiar essa colcha. Talvez ela me sirva de cobertor de orelha. Ah ah ah. Pelo menos esquenta meus sonhos. E os teus? O que acalenta os teus?
Poema ligeiro
Olhos lindos os teus...
enxergam longe e perto.
Decerto vêem acompanhados de outro órgão.
Outro senão o que faz a rima
e termina em ão...
enxergam longe e perto.
Decerto vêem acompanhados de outro órgão.
Outro senão o que faz a rima
e termina em ão...
Flor
Por que me atrai tanto?
Sinto seu perfume persistir em minha pele, em meu rosto, lábios.
Seu néctar inebriante. Por que a beleza de suas pétalas se prendem em meus pensamentos, fixando-se em minha retina?
Ah, essa tua delicadeza. Esses flashs de imagens que me desatinam, desconcentrando-me em momentos tão inconvenientes e errados.
Mas, não tem jeito! Eu, tal e qual um beija-flor insisto em te visitar...
Sinto seu perfume persistir em minha pele, em meu rosto, lábios.
Seu néctar inebriante. Por que a beleza de suas pétalas se prendem em meus pensamentos, fixando-se em minha retina?
Ah, essa tua delicadeza. Esses flashs de imagens que me desatinam, desconcentrando-me em momentos tão inconvenientes e errados.
Mas, não tem jeito! Eu, tal e qual um beija-flor insisto em te visitar...
De novo, olha a paciência aí... nem...
Não consigo ser paciente nem a pau, qdo se trata de vc.
Minha garganta arranha mesmo... meu humor some, fico num
estado, uma dor no abdómem... bem, vc sabe, não é?
O que fazer? Ou te esqueço, ou me esqueço desse ímpeto
que me assalta vez em vez...
Que insensatez, que coisa + complicada.
E no fundo é tão simples. Eu é que não vejo e não dou
vazão e nem razão ao tempo. Tempo ao tempo.
É essa insustentável leveza do ser que me é difícil ser
e sentir. Que peso desmedido dou pra coisas que deveriam
flutuar, planar num mar gostoso e tranqüilo. E vc me
pergunta por que aquilo deu nisso? E o que é que EU
tenho com isso?
Acho que não estou sendo clara, mas clara é vc, não sou
eu. Eu vagueio, vou e venho, num jogo de empurra e leixa-
prem.
Sei lá... Isso mais parece coisa mágica, de duende (não
de doente!), mais de Leprechaum. (é assim que se
escreve???)
Mas... chega de nhé nhé. Não vejo a hora de estar
pertinho de ti. Poder de novo olhar e olhar e olhar... e
enfim fazer o que tanto quero de olhos fechados.
Será que terei paciência? Será que vou entender o
verdadeiro significado dos seus dizeres? Ou
será mais um que lerei às pressas tentando achar aquela
coisa pessoal, aquele seu toque único nas palavras???
Nem...
Beijos mais saudosos ainda
Minha garganta arranha mesmo... meu humor some, fico num
estado, uma dor no abdómem... bem, vc sabe, não é?
O que fazer? Ou te esqueço, ou me esqueço desse ímpeto
que me assalta vez em vez...
Que insensatez, que coisa + complicada.
E no fundo é tão simples. Eu é que não vejo e não dou
vazão e nem razão ao tempo. Tempo ao tempo.
É essa insustentável leveza do ser que me é difícil ser
e sentir. Que peso desmedido dou pra coisas que deveriam
flutuar, planar num mar gostoso e tranqüilo. E vc me
pergunta por que aquilo deu nisso? E o que é que EU
tenho com isso?
Acho que não estou sendo clara, mas clara é vc, não sou
eu. Eu vagueio, vou e venho, num jogo de empurra e leixa-
prem.
Sei lá... Isso mais parece coisa mágica, de duende (não
de doente!), mais de Leprechaum. (é assim que se
escreve???)
Mas... chega de nhé nhé. Não vejo a hora de estar
pertinho de ti. Poder de novo olhar e olhar e olhar... e
enfim fazer o que tanto quero de olhos fechados.
Será que terei paciência? Será que vou entender o
verdadeiro significado dos seus dizeres? Ou
será mais um que lerei às pressas tentando achar aquela
coisa pessoal, aquele seu toque único nas palavras???
Nem...
Beijos mais saudosos ainda
Paz
Não consigo te dar um apelido.
Nunca consegui. E olha que já tentei, tentei. Mas nada... Olho para você ao vivo ou em pensamento e nada traduz o que vejo, o que sinto. Nem uma palavrinha mágica pra descrever o sorriso de menina, olhar maroto de quem vive aprontando. Ora esperto, safado, como de alguém que tivesse acabado de roubar a cobertura do bolo com a ponta do dedo. Ora sério, sisudo, impenetrável, de quem tem mais do que pensar sem ter que responder por onde andam esses sem dono, e voadores pensamentos.
Como descrever em uma palavra só esse seu jeito todo seu, essa leveza de criança e inocência mentirosa de menina-moça que acha que sabe o que quer.
Você já tem outras marcas, outras linhas que te fizeram uma puberdade chegar mais cedo, mas mesmo assim guarda essa jovialidade dentro de si à sete chaves.
Essa manha de criança mimada, esse dedo na boca que vive me mostrando o quanto é difícil quebrar essa vontade de ferro e fogo. Esse seu bate pé no chão quando quer algo.
E essa tal liberdade que vive prendendo, sufocando? Você é presa dos teus sonhos. Presas de vampiro.
Queria que fosses minha PAZ!
Queria que fosses oceano, mar aberto, como meus braços e Corcovado. Brisa no rosto, sossego no lago. Se isso fosses, calma eu seria. Serena no ser, no ter.
Mas tudo é tão revolto, montanha-russa sem fim. Emoções em mim vêm e vão, sobem num dia e caem por terra em outro. E como esperança renascendo: Fênix. Como é duro te amar!
Fico na incerteza se tudo fosse velejar em calmaria. Como seria? Difícil dizer se o que atrai não é essa loucura feito sal-de-fruta num copo que transborda sentimento.
Você nunca será minha PAZ!
Se o fosses, quereria eu estar eternamente em guerra, pra te ver correndo desembestada gritando liberdade antes que tardia.
Nunca consegui. E olha que já tentei, tentei. Mas nada... Olho para você ao vivo ou em pensamento e nada traduz o que vejo, o que sinto. Nem uma palavrinha mágica pra descrever o sorriso de menina, olhar maroto de quem vive aprontando. Ora esperto, safado, como de alguém que tivesse acabado de roubar a cobertura do bolo com a ponta do dedo. Ora sério, sisudo, impenetrável, de quem tem mais do que pensar sem ter que responder por onde andam esses sem dono, e voadores pensamentos.
Como descrever em uma palavra só esse seu jeito todo seu, essa leveza de criança e inocência mentirosa de menina-moça que acha que sabe o que quer.
Você já tem outras marcas, outras linhas que te fizeram uma puberdade chegar mais cedo, mas mesmo assim guarda essa jovialidade dentro de si à sete chaves.
Essa manha de criança mimada, esse dedo na boca que vive me mostrando o quanto é difícil quebrar essa vontade de ferro e fogo. Esse seu bate pé no chão quando quer algo.
E essa tal liberdade que vive prendendo, sufocando? Você é presa dos teus sonhos. Presas de vampiro.
Queria que fosses minha PAZ!
Queria que fosses oceano, mar aberto, como meus braços e Corcovado. Brisa no rosto, sossego no lago. Se isso fosses, calma eu seria. Serena no ser, no ter.
Mas tudo é tão revolto, montanha-russa sem fim. Emoções em mim vêm e vão, sobem num dia e caem por terra em outro. E como esperança renascendo: Fênix. Como é duro te amar!
Fico na incerteza se tudo fosse velejar em calmaria. Como seria? Difícil dizer se o que atrai não é essa loucura feito sal-de-fruta num copo que transborda sentimento.
Você nunca será minha PAZ!
Se o fosses, quereria eu estar eternamente em guerra, pra te ver correndo desembestada gritando liberdade antes que tardia.
Subo nesse palco
Puxa, agora tô te vendo, com esse kimono (?) vermelho com detalhes que não consigo distinguir direito.. e com uma vontade de dizer o quanto é louca minha vontade por vc.. O quanto meu amor é louco tb.
Tem coisas q não conseguimos distinguir mesmo.. o real, a fantasia... e muitas vezes a felicidade vem qdo essas duas facetas se misturam, se confundem. E com vc é assim. Uma mistura de travessura com algo sério, uma loucura com uma certeza, uma fantasia com a descoberta de um novo amor.
Tenho vontade de me expressar mais, afirmar o que tenho sentido, mas quer saber, às vezes tenho medo de te assustar. Tantas vezes declarei esse meu amor por outros corações e nem sempre fui bem entendida, interpretada. É de novo a miopia q aparece, que confunde a vista e não mostra os detalhes dakilo q é tão simples. Um sentimento. Coisa tão pura e tão sem muita explicação.
Na verdade as palavras aki são inúteis, já q meu olhar encontra o seu e os dois se falam, se tocam, compõem uma história inteira de dar inveja a qquer dramaturgo de plantão...
Quero muito um final feliz dessa peça, quero q a cortina desça e a nossa atuação toque mais e mais e mais a nós mesmos... Aliás, não, não quero q essa peça tenha fim... quero poder estar sempre atuando junto com meu companheiro de cena esse roteiro da vida, que não é fake, que não é de mentirinha...
Não há intérpretes. Há verdadeiros apreciadores dessa vida que pode e deve ser feliz!
Tem coisas q não conseguimos distinguir mesmo.. o real, a fantasia... e muitas vezes a felicidade vem qdo essas duas facetas se misturam, se confundem. E com vc é assim. Uma mistura de travessura com algo sério, uma loucura com uma certeza, uma fantasia com a descoberta de um novo amor.
Tenho vontade de me expressar mais, afirmar o que tenho sentido, mas quer saber, às vezes tenho medo de te assustar. Tantas vezes declarei esse meu amor por outros corações e nem sempre fui bem entendida, interpretada. É de novo a miopia q aparece, que confunde a vista e não mostra os detalhes dakilo q é tão simples. Um sentimento. Coisa tão pura e tão sem muita explicação.
Na verdade as palavras aki são inúteis, já q meu olhar encontra o seu e os dois se falam, se tocam, compõem uma história inteira de dar inveja a qquer dramaturgo de plantão...
Quero muito um final feliz dessa peça, quero q a cortina desça e a nossa atuação toque mais e mais e mais a nós mesmos... Aliás, não, não quero q essa peça tenha fim... quero poder estar sempre atuando junto com meu companheiro de cena esse roteiro da vida, que não é fake, que não é de mentirinha...
Não há intérpretes. Há verdadeiros apreciadores dessa vida que pode e deve ser feliz!
Assinar:
Comentários (Atom)